Fio de Ariadne: Silenciando

18 outubro 2016

Silenciando


Quando o mundo está em caos, eu me calo. Faz barulho lá fora, tem ruído aqui dentro. Então, eu me calo. Não entendo o que dizem, quando leio o que não dizem e as informações não batem. Então, eu me calo. Tem gente que diz sem dizer. Ou que ouve sem ouvir. Falta matéria ou explicação científica, mas os sinais caminham pelo ar. Eu capto. Tem um radar supersônico na minha cabeça. Quando ele apita, eu me calo. O silêncio é meu sistema de segurança. Uma espécie de capa voadora, que me leva pra longe quando é preciso. Às vezes pinica, incomoda, porque, afinal, o silêncio nunca silencia de verdade. Ainda assim, suaviza as agressões que vêm de fora. O silêncio é meu refúgio sempre que os sons do mundo me atacam. Ou quando são confusos demais. Sou mais a confusão do meu silêncio! Aqui dentro, a gente se entende e as coisas acabam voltando à velha ordem. Eu me guardo e não machuco ninguém. Todo mundo devia vir com o silêncio configurado de fábrica. Ou aprender a programá-lo em algum ponto da vida. É fácil, não gasta energia e nos leva do caos para um espaço, talvez não menos caótico, mas bem mais interessante. Quando nos damos conta, o autoconhecimento, a resiliência e a sabedoria já estão batendo à porta. Vale o esforço da solitude. O silêncio melhora a qualidade da minha fala. E a saúde do meu coração. 

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