Fio de Ariadne: O cansaço destes dias

08 março 2016

O cansaço destes dias


Não é o noticiário deprimente. Nem o olhar de quem me subestima. Não é o abraço que me falta. Nem os brancos da minha cabeça. Nunca foi Freud, nem Murphy. Tampouco aqueles livros que eu li. Não é a máquina que falha. Não é o grito que cala ou a fala que corta. Não é o texto inacabado, nem as poesias que guardei. Não é esse sorriso amarelo ou o oi que eu não dei. Não são os quilos a mais, o bolo que solou ou o doce que perdi.  Não é a dor de cabeça, nem a pressão que cismou de subir.

O cansaço destes dias tem um quê de apatia e outro tanto de desesperança. Tem um pouco de dúvida e de inexperiência talvez. Tem medo e uma vontade louca de dar um pulinho no futuro pra saber o que vem por aí. O desgaste destes dias tem, sim, um bocado de grilos soltos, capatazes da minha mania de querer tudo perfeito. Cansei de ser chicoteada por eles.

Não é o meu silêncio: meus olhos gritam cada vez que eu calo. Não são os amores que deixei: nunca chorei mais de um dia. Não é o não: eu sempre convivi bem com ele. Não é a falta de inspiração: a gente acaba fazendo as pazes. 

O que é, ao certo, eu ainda não sei. Se há quem saiba, decidiu não me contar. Ou fui eu que não quis ouvir. Sigo, então, com os pés cansados e descalços, deslocada, sem GPS. Pode ser que ainda ache o caminho. Ou então que ele me encontre. Na vida tudo é uma questão de ponto de vista. Ou de estar no lugar certo. Eu ainda descubro. E espero poder, enfim, descansar em paz. 

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