Fio de Ariadne: Sem scripts

26 agosto 2015

Sem scripts


Esbarrei com a inspiração ontem na rua. Comentei que ela andava sumida, perguntei da família, lembramos velhas histórias... esse ritual que todos reproduzimos e nos faz tão normais e sem graça. 

Segui feliz com o reencontro, mas me perdi em pensamentos logo depois. Mais uma vez a estranha mania de deixar passar o que deveria, pelo menos, borrifar o ar de bom ânimo. Insistimos em deixar pesar o que poderia ser leve. Aceleramos o que mereceria contemplação. E, assim, escravos do tempo, ficamos presos ao relógio, como em um filme de ficção científica. Sem máquina do tempo. 

Dona Consciência às vezes chama. E eu escuto. Tenho crises de lucidez que me doem. Difícil enxergar-se parte do sistema. Ruim notar que há algo em você escondido ou maltratado, seja porque você não usou, seja porque as pessoas não perceberam. Às vezes nos ocupamos tanto em seguir o script que deixamos de ver a graça do improviso. Nos preocupamos tanto em sermos certos e perfeitos que não olhamos, não ouvimos, não sentimos o outro. E acabamos taxando de desinteressante tudo o que foge à regra. Sensibilidade e bondade são percebidas como tolice. 

Eu, sempre que acordo desse transe em que a rotina me coloca, tenho prazer em ser tola. Viva!

Acho que vou convidar a inspiração para um café. Quem vem também?



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