Fio de Ariadne: Sobre teatros, labirintos e um lugar que existe em mim

24 maio 2015

Sobre teatros, labirintos e um lugar que existe em mim

"Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Entro num acordo contigo"

Caetano Veloso



Ninguém nunca me disse que viver seria fácil. Mas também ninguém nunca me disse que seria em vão. Algum sentido tem que haver neste circo todo. Não pode ser só isso: nascer, viver, morrer e todo o tom shakespeariano que há em volta. Um teatro permanente que nos distrai do que é real. É muito fácil perder-se diante de tantos papéis que nos oferecem para interpretar.

Haja novelos, fios de Ariadne, para nos levar de volta ao lugar certo: a essência. Cansei de me perder nesse labirinto. Ainda bem que sempre existe o fio. Mesmo que muitas vezes eu me esqueça de usá-lo, ele está lá. De tempos em tempos, eu me perco. Até que um dia, cansada de caminhar em círculos ou de andar em corredores que não levam a lugar algum, eu me lembro do fio. Ele me guia de volta ao que tenho de mais valioso: este lugar em mim que ninguém altera. Nele, eu não me estranho, não me confundo, não sofro. Tenho a sabedoria e a serenidade que me fizeram topar esta empreitada de ser gente. É onde eu entendo o valor e o lugar de cada coisa. Tudo é mais simples, mais claro e menos doloroso. É onde eu me lembro que não é em vão. E que por mais que o mundo pareça o cenário de uma obra de Shakespeare, o autor da vida é real e sabe bem o que está fazendo.

Não é fácil, de fato, mas pode ser mais leve quando estamos no lugar certo. E mesmo que não pareça, tem sentido, tem propósito e vai valer algo mais que aplausos quando se fecharem as cortinas.


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