Fio de Ariadne: Novelas

19 maio 2015

Novelas


São tantos recortes, cenas aleatórias na cidade. Protagonistas de esquina, mocinhos das próprias histórias, coadjuvantes das alheias. Gosto de observar o mundo e imaginar os enredos escondidos em cada quarteirão. Sigo pra casa em silêncio e rio ao pensar que as pessoas que cruzam o meu caminho também desconhecem minhas novelas pessoais.

O pensamento é mesmo uma dádiva! E é ele que me leva à cena daquele velho capítulo. Eu, a mocinha. Você ainda não sei se o mocinho ou o vilão. No recorte, você me olha e não diz nada. Decepcionada, eu baixo os olhos e também sigo muda. É um silêncio dolorido. Você não faz nada. Não toca nada. Não transforma nada. E o nada faz morada entre nós dois. São três verões e alguns outonos de inércia. Apenas olhos covardes que olham e não dizem. Onde já se viu? Olhos mudos! Calados e surdos diante de tudo o que gritam os meus. 

Lembrando da cena, eu chorei. Os olhos desaguaram o que você nunca me deixou dizer.

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