Fio de Ariadne: Dois mil e catarse

21 dezembro 2014

Dois mil e catarse



Ouvi muitos apelidarem este aninho que se encerra de dois mil e catarse. Essa tal coisa que nos expurga,  joga fora, por bem ou por mal, tudo aquilo que já não serve ou está fora do lugar. É certo: 2014 foi uma catarse do começo ao fim. Não apenas pra mim, mas pra boa parte das pessoas com quem troquei as impressões de dezembro. Não foi um ano ruim, mas sério, conselheiro, professor. Em 2014, li menos que o de costume, escrevi pouco. Não fui música, nem poesia. Pelo menos, não na medida que a vida merece.

Em 2014, eu guardei minhas asas. Nesta história, ora sou casulo, ora, borboleta. Neste ano, fui casulo. Preferi minha própria companhia na maior parte do tempo. Estar sozinho implica em conhecer melhor não só a si mesmo, mas também ao universo ao redor. Entendemos melhor as pessoas quando as observamos em silêncio, escondidos atrás da cortina.

Neste ano fui, sobretudo, reflexão. E pensar é um delicado exercício. O pensamento é um potencial inimigo, cheio de armadilhas e excessos que, se não forem combatidos, podem nos tirar do caminho.

Em 2014 (ou catarse) eu, de fato, purifiquei a alma. Dei uma faxina aqui dentro, como deve ser de tempos em tempos. Só assim dá pra perceber certas coisas. Só assim é possível aproveitar o melhor da vida e compreender a sorte e a doçura guardadas nos detalhes.

Estar no casulo é saudável e faz parte do processo. Algumas vezes é dolorido. Outras, cômodo. Mas estar lá é sempre finito. Invariavelmente chega a hora de abrir as asinhas e voar colorida. Só quem dedicou meses ao processo de aprender e transformar-se entende quão bela é uma borboleta. Tão pequena e aparentemente frágil, carrega o encanto da sabedoria que o silêncio e a solidão são capazes de trazer. Voam graciosas, mas resolutas. Sem estardalhaço. Sabem como é ser lagarta. Valorizam a beleza e as asas. Foram meses de casulo. Todas as dores e limitações encerradas. Catarse pura.

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