Fio de Ariadne: O que não pesa

06 setembro 2014

O que não pesa

"A gente espera do mundo e o mundo espera de nós um pouco mais de paciência." Lenine


De repente, você se dá conta de que precisa viver. Enche os pulmões e chora, como um bebê que anuncia sua chegada ao mundo. É, então, que você percebe que já criou tantos mundos irreais em vão. Este daqui já é louco o suficiente e nada é capaz de te poupar dele. Daí você vai na sua infância e lembra do desenho do qual gostava. "Se não pode vencê-los, junte-se a eles", dizia o personagem. Eu diria mais: se não pode vencê-los, aprenda a amá-los, ainda que este planetinha em provação tenha muito a conhecer sobre o amor. Ainda que você também esteja aprendendo. Estagiários da vida é o que somos. Estamos no preâmbulo de tudo o que podemos ser. Entender esse preceito significa carregar menos peso na vida.

Às vezes levamos na mochila coisas e pessoas que não deveriam estar lá. Não é justo com você, não é justo com elas. Hora de abrir a tal mochila e libertar os amores mal resolvidos, os amigos distanciados, as lembranças repetitivas, os medos, as culpas. Já nos bastam as surpresas do caminho. O melhor a fazer é andar por ele de mãos e coração livres. Livres, não vazios.

Sabedoria e amor são coisas que não pesam. O peso que algumas pessoas atribuem ao amor vem da falsa noção que elas têm desse sentimento. Se quer viver com leveza, lição número 1: amor não pesa. A sabedoria é presente do tempo. Do tempo e da experiência. Não dá pra nos livrar de certos ensinamentos da vida, mas dá pra torná-los menos dolorosos. Olha aí a importância de ter a mochila vazia! A sabedoria evita alguns percalços. Outros, não. Mas sempre ajuda a passar por eles da maneira mais suave possível. E não pesa.

Eu ainda estou aprendendo a amar e a usar a sabedoria. Perceber o mundo real é uma boa prova disso. Passei de ano. Não esqueci tudo o que vivi, nem todos que amei. Apenas os deixo, agora, onde devem estar. O mundo é um cenário, cheio de adereços que não devemos carregar, sob pena de cada um perder o sentido. E nós, inclusive, perdermos o nosso. Tudo ficaria mais longo e mais dolorido. Lembre-se: junte-se a eles e aprenda a amá-los. O amor não prende, nem pesa.


Um comentário :

Talita Cruz disse...

"Às vezes levamos na mochila coisas e pessoas que não deveriam estar lá. Não é justo com você, não é justo com elas. Hora de abrir a tal mochila e libertar os amores mal resolvidos, os amigos distanciados, as lembranças repetitivas, os medos, as culpas. Já nos bastam as surpresas do caminho. O melhor a fazer é andar por ele de mãos e coração livres. Livres, não vazios."

Adorei essa parte...tenho essa mania de guardar e guardar...mas estou aprendendo aos pouquinhos a deixar ir (agora procurei ajuda profissional, porque sozinha já não estava conseguindo mais rs). Obrigada por mais um texto maravilhoso.