Fio de Ariadne: Despedidas

09 julho 2014

Despedidas


Despedidas costumam doer. Dar adeus a pessoas, lugares, momentos. Parar de viver alguma coisa é dolorido, mas dói mais despedir-se de algo que você quis viver e não viveu. A expectativa frustrada é como uma estátua erguida em praça pública, escancarando ao mundo o que você não alcançou. Pelo menos, ao seu mundo interno, que nunca mais será o mesmo, colecionando histórias que não aconteceram. Difícil apagar o que só existiu no plano das ideias. O imaterial tem a força do indestrutível. Fica preso na memória, em um replay interminável. A desistência, a verdade nunca dita, a vitória inalcançada, o beijo nunca dado, o e-mail não enviado, o desejo reprimido, o convite nunca feito (ou nunca aceito), as passagens não compradas, a palavra engasgada, o amor escondido, a conquista negada. Todos, impiedosamente todos, os “quases” em que esbarramos na vida. Ainda que muitos acabem arquivados pelas artimanhas da memória, eles ainda estarão lá, prontos para pipocar na primeira oportunidade. São doloridos, mas ensinam. Professores à moda antiga, munidos de palmatórias e cantinhos do pensamento. Sim, despedidas costumam doer. Mas, em boa parte das vezes, são absolutamente necessárias. Inclusive, quando se referem ao que queríamos viver e não vivemos. Difícil é saber quando deveríamos ter insistido ou tentado mudar o destino. Viver exige sabedoria. Abortar a operação ou segui-la a todo vapor? Melhor recorrer aos arquivos nessas horas. Eles remexem as feridas, mas ensinam, não é isso? Tomara que tenhamos sido bons alunos.

2 comentários :

Talita Cruz disse...

Difícil essa sensação do "quase", do que poderia ter sido, e não foi. Por isso tenho arriscado um pouco mais, mas mesmo assim as coisas nem sempre dependem da nossa vontade, né? Mas como você disse, no fim tudo serve de aprendizado :)

Bjus!

Ariadne Lima disse...

Talita, lindona, os quases fazem parte da vida e, quando aprendemos com eles, ironicamente, nos ajudam a nos tornar completos. O que não dá é viver pra sempre no "quase ", sem entender que há outras coisas muito bacanas que podem preencher aquela lacuna. Beijo!