Fio de Ariadne: Reaprendendo a voar

29 junho 2014

Reaprendendo a voar

"Simples e suave coisa
Suave coisa nenhuma.
Que em mim amadurece"

João Ricardo e João Apolinário
(Secos e Molhados)




É um pássaro. Aprendeu a voar com a vida. Curioso é que a mesma vida que ensina a voar, às vezes, traz elementos que interrompem o vôo. O grande desafio do pássaro é não ter medo de altura. Tem dia em que a vida empurra abismo abaixo e voar é uma questão de sobrevivência. Então, muitas vezes, para evitar empurrões inesperados, o mais seguro é permanecer no chão. O pássaro trava, esquece que voa. Vai seguindo assim, pesado, ressabiado, um canto triste e repetitivo, como quem pede ajuda para se reencontrar. Quer reaprender a viver, jogar os lixos fora, desatrofiar as asas.

É pássaro. Nasceu para ver o mundo de cima. Quer sentir de novo o vento no rosto. É muito leve ser quem nascemos pra ser. A essência não pesa. Bem fácil voar assim! Lá de cima vê-se o belo, há cor e alegria. Voar faz bem. Ele é um pássaro! Precisa disso. Quer isso. Tem asas. Sabe voar. Sabe que é bom.

Paralisado pelo medo e outros pesos, precisa agora de um novo empurrãozinho. Não desses traiçoeiros que a vida dá. Precisa, sim, do toque suave de uma jovem senhora chamada sabedoria. A maturidade traz leveza e dá asas. Às vezes, ela também empurra no susto, mas porque sabe que a essência emerge dos desafios. E faz voar alto. Livre, bonito, como só um pássaro de verdade é capaz de fazer. O pássaro lembra que estar lá em cima é mais emocionante e seguro que ficar no chão. Voar não é para todos. Mas ele é pássaro. E não pode abrir mão disso.


2 comentários :

Tate Bispo disse...

Buniteza de passarin! :)

Ariadne Lima disse...

:) todo mundo tem um pouco de passarinho