Fio de Ariadne: Doces amarras

13 abril 2014

Doces amarras



São seus olhos. Não que eles me vejam de maneira especial. Na verdade, talvez eles nem me vejam. Mas são eles que ainda me prendem de alguma forma. Tenho pernas livres pra seguir. Belas e cansadas pernas que insistem em ficar. Caminham suavemente em círculos, como uma dança em torno dessa perigosa trilha chamada vontade. São pernas vigilantes aos próprios desejos. E elas também desejam seus olhos. Querem ser cobiçadas por eles. Mas eles, altivos, nem notam. Não desisto. Os enigmas me atraem. Gosto de criar e o mistério é um convite à invenção. Invento você como eu quero. Bem mais interessante assim. Seus olhos continuam arrastando os meus, como ímãs. E eu permaneço entregue. Não sei, ao certo, se a você ou ao desenho que fiz no pensamento. Fantasia e realidade é a mistura que me move. Pouco importa que não seja saudável. O que vale é que me leva de um lugar a outro de mim mesma. Prisão com sabor de viagem. E eu me deixo levar. Pelo seus olhos e pela sensação de vôo. Simulação movida a sentidos. Ainda caio desta nuvem que me ampara! Dou de ombros. Viver é correr riscos. E eu adoro.



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