Fio de Ariadne: Tintin

29 dezembro 2013

Tintin


Minha amiga Elis diria que é clichê, que eu sou muito sugestionável e que nada muda além de um número. Eu me aborreceria, se não a conhecesse tão bem. Elis se faz de durona e banca a diferente, mas no fundo é igualzinha a todo mundo: ela também faz autoavaliações todo fim de ano. Eu nem faço questão de disfarçar: impossível não me render à egrégora mundial. Eu, que penso demais o ano inteiro, vou me privar disso justo agora, quando a renovação do calendário bate à porta e me oferece milhões de variáveis filosóficas?

É dezembro. O corpo está cansado, se arrasta sob a promessa do descanso e da chegada de um novo ciclo. Cabeça e coração sofreram estímulos diversos ao longo do ano. Hora de incinerar todo o lixo emocional. O que eu levo do ano que se vai é leve. E o melhor é saber que de leve o tal ano teve pouca coisa. 

A vantagem de parar um pouco no fim do ano é exatamente esta: faxinar a alma, peneirar os meses que passaram, deixando apenas o que eles trouxeram de bom: as relações, o amadurecimento, as gargalhadas e os abraços que se instalaram na memória. As decepções e as dores já cumpriram seu papel. Então, que fiquem lá, no meio do lixo não-reciclável de 2013. As cicatrizes, se inevitáveis, que sejam esquecidas no dia-a-dia e, quando lembradas, sirvam apenas para dizer que fui forte e venci os traumas. Aprendi, cresci. E deixei os pesos todos para trás.

Normal que agora também venham expectativas e curiosidade sobre o que Deus vai escrever em mais um capítulo da vida. Ainda não inventaram uma vacina contra as tolices humanas. Então, eu sigo, como todo mundo, esperando o que a vida vai trazer. Vou trilhando o caminho, tentando acertar pra diminuir o lixo a ser incinerado no final do ano que vem. Melhor do que jogar fora o que não serve mais é aproveitar ao máximo o que você construiu ao longo dos meses: porque é fácil de carregar, porque traz conforto, porque alimenta a alma. Que sejam muitas as doçuras e levezas que eu carregue comigo em 2014.  

À minha amiga Elis, e a você que me lê, sugiro esse saudável exercício de limpeza. E deixo os votos de um delicioso e feliz número novo. Tintin. ;)

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