Fio de Ariadne: Rasgue os rótulos, por favor

04 setembro 2013

Rasgue os rótulos, por favor



Nunca gostei de rótulos. As pessoas têm ingredientes demais para serem rotuladas. O nerd, a santa, o porra-louca, a piriguete, o inteligente, a grosseirona, o safado, a boazinha. Não! Tem muito mais elementos aí debaixo. Tem sangue correndo, hormônios pipocando, pensamentos gritando, coração batendo. Tem a vida ensinando. Tem a mudança acontecendo diariamente.

Ninguém é 100% alguma coisa. Ninguém é pra sempre a mesma coisa. Viva! É isso que dá sentido à vida: a oportunidade de fazer diferente, de aprender, de mudar, de experimentar. Essência, é claro, cada um tem a sua. Ela nos norteia, mas não nos torna imutáveis. Ela não nos faz um rótulo, um carimbo, um passaporte para o destino certo. Gente é algo maravilhosamente complexo. E surpreendente! Não dá pra ser taxativo ao descrever quem quer que seja.

Ganhei alguns rótulos ao longo da vida e sei o quanto eles são superficiais. Sei o quanto eu sou mais do que eles e, por isso mesmo, entendi que as pessoas não podem ser descritas em poucas palavras. Os rótulos são sempre cruéis. Mesmo aqueles que parecem positivos. São cruéis porque não dão oportunidade à pessoa de ser outra coisa. Se ela compra a embalagem para si, corre o risco de ser o tal rótulo a vida inteira e nunca descobrir suas muitas possibilidades.

Quem rotula o outro normalmente se baseia na superficialidade. E o bom da vida é olhar além, descobrir as múltiplas nuances de ser. E, então, quem gosta de carimbar pessoas, nem percebe, mas está se rotulando (e limitando) também.


PS: A foto que ilustra o post é do fotógrafo Steve Rosenfield, autor da série What I be Project, na qual retrata pessoas exibindo os principais julgamentos que carregaram a vida inteira. Mais sobre o projeto aqui

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