Fio de Ariadne: Não me chama de Sininho, que eu cansei do Peter Pan

10 setembro 2013

Não me chama de Sininho, que eu cansei do Peter Pan


Amiga leitora, acontece com todo mundo. Você conheceu o cara, achou que ele fosse bacana, quis conhecê-lo melhor. Não foi um pedido de casamento. Você só pensou em conhecê-lo melhor, explorar a possibilidade. Nenhuma letra a mais. Ele não entendeu. Colocou naquela cabeça pré-histórica que você o havia eleito príncipe do cavalo branco. Ficou confuso (eles adoram essa palavra) e fugiu. Afinal, a possibilidade de conhecer uma mulher bonita, legal e independente é mesmo assustadora. Para os garotos, é claro. 

Outro cenário: ele conseguiu avançar. Vocês estão saindo, está bom assim. Tudo na velocidade um. Ninguém conheceu a família de ninguém ainda. As afinidades são muitas, o papo rende, vocês se divertem. É, então, que você demonstra que está gostando. Nada demais. Limita-se a ser fofa. Velocidade um e meio. Pra ele, não dá. Está convicto de que você quer dançar a valsa nupcial no castelo do rei. Demorou só mais um pouquinho: ele ficou confuso e fugiu. Afinal, estar com uma mulher segura, divertida e inteligente é mesmo assustador. Pra quem mesmo? Ah! Para os garotos, é claro.

Dados do Instituto Internacional de Pesquisa em Homens Infantis mostram que 85% da população masculina sofre de um grave distúrbio: a síndrome de Peter Pan. Vivem na Terra do Nunca, onde é permitido ser criança pra sempre. Crescer é mesmo confuso e fugir pode parecer a melhor saída. Nossos Peter Pans foram criados em uma sociedade machista em que há mulher pra casar e mulher pra se divertir. Um mundinho quadrado em que aquela que demonstra interesse é piriguete ou quer levá-lo ao altar. Cara amiga, não temos escolha: ou somos reduzidas a boa bisca ou a solteirona casadoira. Não tem conversa, não tem meio termo.  

É que na Terra do Nunca, não existem mulheres modernas. Na verdade, na Terra do Nunca não existem mulheres. Cercados de fadas que resolvem qualquer coisa com seu pó estrelado, eles esquecem como é viver de verdade. E não entendem que a princesinha que eles têm na cabeça ficou nos filmes da Disney. E nos dos anos cinquenta.

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