Fio de Ariadne: De olhos fechados

06 agosto 2013

De olhos fechados



Olho nos seus olhos imaginários e penso no quanto gosto dos seus olhos reais. Verdadeiros, porque são de carne e córnea e porque dizem quase tudo o que eu quero saber. Quase, porque guardam um tantinho de mistério, de propósito, só pra judiar ainda mais deste coração que tem gosto especial pelo oculto. Ter que descobrir tem mais sabor do que achar exposto, de graça, sem investigação nenhuma. Por isso, nunca fui de me revelar. Pelo menos não de cara. Tem que dar um trabalhinho. Faz parte do processo. É meu seguro de vida, caso as coisas não saiam como eu gostaria. Talvez eu até me jogue depois. Mas só a partir do momento em que você disser que eu posso pular. Não caio sem rede de proteção. É que já me estropiei algumas vezes.

Hoje você está presente como nunca. Quase posso sentir o toque, o compasso da respiração. De olhos fechados, ouço baixinho uma voz cantarolar sua música predileta. É você, que chega de leve no meu pensamento, a passos calmos para não me acordar. Doce brincadeira de idas e vindas. Escondo-me, mas aqui você sempre me acha. Dá raiva ser assim tão descoberta! Reclamo da sua perspicácia, mas não demora eu me rendo. Gargalho contigo, sem pudores. Entregue. Segura pela certeza de que pelo menos ali, no meu salão imaginário, basta abrir os olhos para não me machucar.

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