Fio de Ariadne: Amanhã

18 agosto 2013

Amanhã


E, então, ele bateu à porta. Era discreto e silencioso, mas, eu sabia, tinha muito a me dizer. Carente, estendi os braços assim que o vi. Só eu sabia o quanto esperei. Ele pareceu constrangido, mas abraçou-me de volta. Um abraço xôxo, mas nem por isso menos importante. Ele me olhou nos olhos e nessa hora, senti-me tragada, tomada, encantada. Sim, ele tinha muito a me dizer e começou assim, naquele olhar. Meus sonhos estavam ali. Meus planos, meus medos, minhas alegrias, as lágrimas escondidas e os sorrisos bobos de quem espera que as coisas um dia sejam diferentes. 

Convidei-o para entrar. Ele não fez cerimônia. Já passava da hora. Carecia dele na minha vida. E ele, àquela altura, precisava de mim para ser. Ao entrar pela porta, ele entrava na minha história. Estava feito. Não tínhamos como voltar. Contou-me um bocado do que eu precisava saber. Outro tanto deixou que eu simplesmente vivesse. Certas coisas a gente só entende quando vive. “Estou pronta”, eu disse. Foi, então, que a transformação se deu e, de futuro, ele chegou para ficar e transformou-se em presente. No melhor sentido da palavra.

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