Fio de Ariadne: As paradas do tempo

25 julho 2013

As paradas do tempo


Um sopro gelado entra sorrateiro pela fresta da janela. Arrepia o corpo inteiro. Olho no relógio. Dez pra meia noite. Penso no tempo e seus mistérios. O ano passa rápido. Já é setembro. Plena primavera. Minha estação favorita. As pessoas ficam mais leves, eu acho. Cores, sorrisos, perfume. A vida mais gostosa de seguir. De novo, penso no tempo. Que chamem de clichê, mas a verdade seja dita: ele sabe das coisas. Fico intrigada como tudo acontece quando tem que ser. Nós e nossa ansiedade, coberta de insapiência, queremos sempre o agora. Não dá pra esperar. A urgência nos consome. E aí é que ele, o Tempo, resolve brincar de estátua. As coisas não andam, não acontecem, não chega novidade alguma. A urgência ainda nos consumindo. E o senhor Tempo lá, divertindo-se às custas da nossa infância evolutiva. Até que cansamos de nos consumir. Resolvemos olhar pro lado, enxergar o que a ansiedade acabou escondendo. Gostamos do que vemos. Percebemos novas nuances. Arriscamos outros caminhos. E, então, numa noite dessas qualquer, o Tempo resolve que a brincadeira acabou. É hora de colocar os ponteiros para andar e as histórias voltam a acontecer. Começam exatamente do ponto onde pararam. A vida segue. Até a próxima parada, que pode servir para dar fôlego, entendimento ou simplesmente nos ensinar que a espera é o que dá sabor ao fruto. Bacana mesmo esse troço chamado vida...

2 comentários :

Cláudia Gabriel disse...

Ariadne, adoro o seu jeito poético de falar da vida! Que texto lindo! Também andei escrevendo sobre o tempo. Depois, mando o link. Um beijo e parabéns!

Ariadne Lima disse...

Cláudia, o tempo é uma das minhas inspirações favoritas. Quero ver a sua crônica! Beijo!