Fio de Ariadne: Ser ou não ser

04 junho 2013

Ser ou não ser


Acordou naquele dia e decidiu ser feliz. Abriu as janelas, deixou a brisa de outono entrar. O sol não esquentava muito, mas o céu tilintava de tão azul. Reparou nas plantas do jardim. Há quanto tempo não parava para apreciá-las? Puxou o ar e, com ele, o perfume verde de que tanto gostava. Foi até o aparelho de som e pôs sua música predileta. Saiu dançando, leve, como estava a sua alma, como tinha decidido que seria a partir de agora. De moletom, encardindo a meias no chão, os cabelos despenteados, decidiu viver. Decidiu que seria. Assim: o simples estado de ser. E, para ser, ninguém precisa do outro. Só se é alguma coisa sozinho. Relacionar-se é oferecer às pessoas a oportunidade de trocar impressões, colher informações, sentimentos e entendimentos que, claro, nos ajudam a ser, mas nunca serão nada em nós, sem que nós mesmos façamos algo por isso.


Ela, então, entendeu que seria feliz. A felicidade (ou qualquer outro sentimento) é o resultado do que construímos com todos os elementos que o mundo e as pessoas nos oferecem. Dê tinta, tela e pincéis a diferentes pessoas e você terá as mais diversas manifestações. Cada um usa as cores e as formas que tem em si. E ela resolveu que, a partir dali, seu mundo seria colorido. Sua história seria escrita com os elementos que a vida trouxesse. Sem obsessões por gente, coisas ou lugares. O que viesse viraria pintura. Seria arte. Teria cor, felicidade e leveza. Seria ela. 

2 comentários :

Cláudia Gabriel disse...

Adorei, Ariadne! Que leveza, menina! Eu quero ser assim...

Ariadne Lima disse...

Obrigada, Claudinha! A leveza é meu desejo de vida, pra mim e para os outros. Nem sempre consigo, mas vou persistindo. Beijo!