Fio de Ariadne: Silêncio

19 maio 2013

Silêncio



Às vezes é preciso calar. Tirar a maquiagem, colocar a fantasia debaixo do braço, ir para trás das cortinas. Não há o que dizer, não há o que tentar. Os olhos são os únicos encarregados de expressar o que é preciso. O silêncio traduz melhor. O não-estar cumpre bem o papel de contar o que quer que seja. Abaixo a cabeça e sigo. Não há mais o que procurar aqui. O não-dito já revelou o que eu precisava ouvir. Entendi e estou saindo. Não vou bater a porta. Ela sempre vai ficar aberta, caso algo mais precise acontecer. Por enquanto, é só. Não sei lidar bem com isso, mas é necessário e do necessário é impossível fugir. Tudo bem. Já conheço este caminho, que percorri tanto tempo sozinha. Resta agora continuá-lo. Sem medos, sem lamentos, sem mimimi. Está traçado. E o mais importante: ligado a outros caminhos, outras possibilidades. Você pode vir quando quiser. Mas, agora, eu já entendi: respiro fundo e vou. Sozinha. Uma hora eu encontro o destino certo e a vida me devolve a maquiagem, a fantasia, o palco. Poderei, então, finalmente desfrutar do espetáculo.



"
E o que é que eu procuro afinal?
Um sinal, uma porta pro infinito, o irreal
O que não pode ser dito, afinal"
Lenine


Um comentário :

Lígia Chagas disse...

É, quérida. Sou adepta do silêncio interior muitas vezes. Bjos!