Fio de Ariadne: De volta pra casa

05 março 2013

De volta pra casa

"Nem desistir, nem tentar. Agora tanto faz.
Estamos indo de volta pra casa"
Renato Russo




Longe de todos de si mesma, Alice fazia lentamente o caminho de volta pra casa. Olhava o cenário, cada detalhe, como se quisesse fazê-lo palco da própria vida. Alice queria escrever sua história. Uma nova história, com novos personagens, outros contextos. Caminhava devagar, mas o velho coelho apressado insistia em dizer o quanto era preciso correr. Eles a desafiavam: o coelho e o tempo. Riam da sua lentidão. Gargalhavam dos seus medos. E ela, mesmo constrangida, seguia. Devagar e sempre. Um dia chegaria a seu destino e reencontraria a si mesma e aos outros. Novos cenários e outros personagens viriam. Ela seria a próxima mocinha do horário nobre. Quem seria o mocinho? Qual seria o vilão? Alice não sabia nem queria pensar nisso agora. Odiava essa mania da vida, de escolher por conta própria o nosso enredo, a nossa história. Por isso, Alice seguia devagar. Tão devagar o quanto podia. Tinha medo do que estava por vir. Sabia que mais adiante daria de cara com as escolhas que a vida fez pra ela. Algumas feitas no impulso, com a pupila saltada, o sangue fervendo. Pura paixão. E tudo o que Alice sempre buscou foi a paz. Ela temia o tempo, como o coelho instigou, mas temia ainda mais a precipitação. Por isso, engolia a ansiedade e seguia devagar. Um dia chegaria ao destino. E sobre isso, o velho coração já lhe falara. Curioso, ele dera um pulinho no futuro e voltara às pressas pra contar: “Respire aliviada, Alice. Logo ali, um pouco adiante daquela curva, à sombra de uma árvore, te espera, sem atropelos, a sua felicidade”. 

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