Fio de Ariadne: Literatura sempre, por favor

10 janeiro 2013

Literatura sempre, por favor



A literatura é uma paixão. Paixão mesmo, dessas que dão um siricutico, um troço quente que vai subindo dos pés à cabeça. Às vezes, essa paixão adormece. Sei lá, algo estremece a relação. Talvez seja a vida moderna extrapolando ou, quem sabe, o excesso de jornalismo. No primeiro dia de faculdade já ouvi, nas palavras do mestre, que, invariavelmente, em algum momento da vida, o jornalismo corrompe o homem. Com algum descuido, também corrompe a poesia inerente a essa característica que me levou a escolher o jornalismo como profissão: gosto de olhar as pessoas e imaginar suas histórias, suas cargas e libertações.

Jornalismo nada mais é que contar histórias. Um primo da literatura, que muitas vezes se mostra seco e insensível, mas pode, sim, revelar belezas escondidas na correria diária. Nem sempre a forma como se conta uma história é capaz de eliminar a humanidade que ela carrega. É esta a minha interna luta permanente: não deixar que a objetividade que o jornalismo, ou mesmo a modernidade, me pede leve embora minha capacidade de ver dor, doçura, necessidade, leveza e todas essas coisas que fazem da vida um livro em tempo real. É quando me dou conta disso que a paixão pela literatura vem latejante, louca para gritar e compartilhar com todos as lentes com as quais eu vejo o mundo. Paixão que é paixão é assim: estremece, silencia, dá meia volta e ressurge. Mais inquietante do que nunca. Ainda bem.

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