Fio de Ariadne: Amor de passagem

19 janeiro 2013

Amor de passagem


Ele tinha o destino dele. Ela tinha o dela. Eram destinos diferentes que, por acaso, se cruzaram no caminho. Única missão na vida um do outro: encontrarem-se. Simples assim. Sem fortes impactos ou grandes transformações. Um amor de passagem, que não levou muita bagagem consigo. Uns beijinhos aqui, uns pegas acolá, um sentimento que pensou em nascer, mas acabou encruado.

Sábio destino! Tinham coisas grandiosas a fazerem sozinhos. Um sem o outro. Livres. A lembrança agora era como a dedicatória anotada no velho livro. Ficaria ali, perdida, encerrada em uma estante da memória, que um dia, talvez, em uma das mudanças do destino, será reencontrada, relida, e novamente guardada.

Nem todo romance tem papel de destaque. Aquele não teve função alguma. Pelo menos nada que renda boas histórias na velhice. Foi um romance, porém. Teve frio na barriga, pupila dilatada e beijos intermináveis. Teve arrepios, noites em claro e sorrisos cúmplices. Deu choque, deu febre. E foi embora. Sem alarde. Assim como chegou.

Ele seguiu o caminho dele. Ela seguiu o dela. E fizeram coisas muito melhores assim.

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