Fio de Ariadne: "Esperança Equilibrista"

20 novembro 2012

"Esperança Equilibrista"



Então, esta é a vida: uma corda esticada, elástica, que vez ou outra parece que vai jogá-lo no chão. E, se não souber a brincadeira, ela joga mesmo. Viver é andar sempre na corda bamba. Uma arte. Algumas vezes com plateia; outras, apenas você e uma luz discreta sobre o picadeiro. Sempre um desafio. Um belo desafio, deve-se dizer, mas por vezes assustador. Aprende-se tanto ao longo dessa linha! E aí está exatamente uma das lições: o belo também pode assustar. O feio pode se revelar esplêndido. Tudo pode acontecer no caminho. Isto é o que torna mais difícil e fantástica a conquista do equilíbrio: não saber o que virá no passo adiante e entender que, não importa quando, nem quantas vezes aconteça, o desequilíbrio faz parte do jogo. Fatalmente, algo balançará a corda um dia. E isso vai te balançar por inteiro. Das pontas dos pés, vacilantes pelo medo, aos cabelos emaranhados pelo vento, ou pelas preocupações. Não há quem escape. Se cair, é possível subir de novo, mas vale lembrar que, no tombo, você pode se machucar e isso vai dificultar a caminhada. Portanto, desequilibre-se, permita-se vacilar, balance com a corda, mas lembre-se de que nem todo desequilíbrio acaba em queda. A menos que você permita que ele vença seus talentos. Respire fundo, recupere o equilíbrio e prossiga. Arrisque-se, sim, mas não tente dar passos rápidos ou longos demais. No jogo de equilíbrio, esperar o momento certo para avançar é fundamental. O espetáculo pode demorar um pouco mais, mas torna-se encantador e traz a certeza de que é possível alcançar o fim da linha em segurança. Com sabedoria e paciência, conquista-se a esperança, aquela mesma da música de Elis Regina, que nos move diariamente e, ignorando medos e dúvidas, sabe bem “que o show de todo artista tem que continuar”.