Fio de Ariadne: A nuvem que eu vejo

21 fevereiro 2012

A nuvem que eu vejo


É como brincar de descobrir desenhos em nuvens. Cada um enxerga uma forma, um significado. Cada um vê o que está dentro de si. Dentro de mim há poesia. A poesia é a nuvem que eu sempre vejo. Vez ou outra escurece, vira tempestade, o vento leva embora. Mas ela volta. Volta porque faz parte mim. Volta porque sou eu. É a forma como vejo o mundo, como ele se desenha diante dos meus olhos. Minha nuvem se externa e, como tudo o que sai ao mundo, é vista de diversas formas, sob diversos olhares. Nem sempre são olhares justos. Nem sempre enxergam na nuvem o que ela realmente quer dizer. De fato, cada um vê o que está dentro de si.

Quem carrega a poesia carrega também um grande fardo: poucos são os que conseguem ler a vida com os olhos da sensibilidade. O sensível é quase sempre um estrangeiro no mundo dos homens. Cabe a ele carregar o peso da crítica, da zombaria, da injustiça. Olhos insensíveis não vislumbram o cenário. Absorvem apenas o pequeno quadro em que figuram sozinhos. Nele, não se desenham muitas nuvens. As que cabem limitam-se a mostrar o que não é bonito de se ver.

Um comentário :

Lígia Chagas disse...

São como espectadores em um grande teatro...