Fio de Ariadne: Outubro 2011

16 outubro 2011

Talvez você precise saber


Sou uma mulher de hábitos simples. Gosto de cheiro de chuva. Gosto de hambúrguer às segundas-feiras. Gosto de sentar no meio-fio. Adoro parque de diversões, pipoca de carrinho, algodão doce. Costumo passar os domingos em casa, de pijama. Gosto de sol, de natureza. Sofisticações não são para mim. Agacho para brincar com as crianças. Aposto corrida na piscina. E perco. Faço careta para tirar foto. Realizo-me nas feiras populares: das bijus baratas ao tropeirão na hora da fome. Gosto de andar descalça. Faço miojo com molho pronto e até que sou boa dona de casa. Minha bebida preferida é água e dificilmente troco o feijão com arroz, bife e batata frita. Canto no chuveiro. Adoro pão com mortadela. Faço prato de peão no self-service. Vou às compras de havaianas. Eu mesma faço as minhas unhas (sem tirar bife!). Ando de ônibus. E saio à pé, quando quero ser saudável. Não costumo comprar roupas de marca (a não ser quando o custo-benefício faz por onde). Vinhos baratos me divertem. Nunca escolho um cara pelo modelo do carro ou pela conta bancária. Falo sozinha. Dou faxina na casa ouvindo música. Não vou a restaurantes requintados. Não como comida japonesa. Amo coxinha e pastel de milho. Tiro o sapato na mesa de trabalho, quando ninguém está olhando. Dou risada sozinha na rua e acho graça das pessoas se levarem tão à sério.

Se mesmo depois de saber tudo isso você ainda quiser me conhecer melhor, muito prazer: também tenho um lado lady pra te mostrar.

Para mim, ser elegante é ser livre. Quer experimentar?

12 outubro 2011

Carta ao Tempo


Ei, senhor Tempo!

Sei bem o quão rápido o senhor tem passado, não quero ser injusta, mas será que dá pra andar um pouquinho mais depressa? Espero tanto por um novo ano, uma nova vida, novas perspectivas. Não que as coisas estejam exatamente ruins. É que às vezes a gente precisa se remodelar, recolorir a vida, com outras tintas, outros pincéis, só pra ter a mesma vontade e o mesmo talento de pintar até o fim.

Eu sei – e você me conhece muito bem, sabe que eu sei mesmo - que boas novas estão por vir. E então ficamos eu e o tictac do relógio numa relação maluca de gato e rato. Estive presa, pesada, onde eu deveria estar, é certo, mas em algum lugar que não era, por essência, o meu. Ok, senhor Tempo, eu sei: o senhor coloca cada um onde deve estar. Mas nem sempre onde cada um deve estar é onde ele se sente mais à vontade. Foi isso que eu quis dizer.

O senhor ensina tudo, tem as suas medidas exatas, do tamanho da nossa necessidade de amadurecimento. Convenhamos, no entanto, que às vezes é bem chato esperar sua medida passar. Acho que este ciclo está chegando ao fim, não é mesmo? Então, por favor, se der, faz uma forcinha: passa um tiquinho mais rápido que eu não vejo a hora de ser leve de novo.

Prometo ser uma boa menina sempre que o senhor me pedir pra esperar. Combinado assim?

Abraços tempestivos (não resisti ao trocadilho),

Alice ;)