Fio de Ariadne: De repente 30

17 agosto 2011

De repente 30


Foi assim: um dia desses qualquer, eu, boa soneca que sou, dormi e acordei com 30. Nada previamente marcado, nada instituído, formalizado, lavrado em cartório. De repente, 30. Importante dizer que o processo, que é o que realmente interessa, havia começado faz tempo. O que vem de repente é a consciência dos 30. Quase uma metonímia da vida. Tomamos objeto pelo conteúdo. Os 30, conteúdo, vão sendo feitos um tempo antes, como uma receita preparada com muito cuidado, com ingredientes indispensáveis, que vão sendo misturados e medidos ao longo dos meses.

Quando acordei com 30, estava apenas me dando conta do que eu já era. Uma balzaquiana, das boas (no melhor dos sentidos), daquelas que Balzac descreveu com uma sabedoria que poucos homens já tiveram ao enxergar uma mulher. A consciência dos 30 é exatamente o grande trunfo da balzaquiana, a de Balzac e a brazuca. 30 é 30 em qualquer lugar.

Saber-se, entender-se e gostar-se com 30 é a peça chave e conclusiva de tudo. Fazer trinta é um processo. Estar com 30 é uma constatação. Praticamente um atestado de segurança, auto-estima, leveza. Nos 30, temos certeza de quem somos e do que queremos. Sabemos o que nos incomoda, o que abominamos e aquelas coisas (e pessoas) da vida às quais aceitamos dar uma segunda chance. A grande sacada dos 30 é exatamente saber que, embora já tenhamos vivido um bocado, é possível uma nova chance. Se não uma nova chance, um novo caminho, um novo lugar, um novo jeito de mostrar-se ao mundo.

Os anos não pesam mais. Não pesam as mesmas coisas que pesavam antes. Pesam menos as críticas, as palavras, as chatices. Porque, quem constrói bem os 30, aprende o real peso das coisas e o verdadeiro valor da vida.

Há algum tempo eu construía os 30. Hoje tenho 30, prontíssimos, com convicção, orgulho, tranqüilidade. Alguns fios brancos? Que me importa!? Nada que um belo sorriso no rosto não consiga disfarçar.

Um comentário :

Carol Jardim disse...

Minha balzaquiana preferida. Quero chegar aos 30 como você! Bjos, Carol