Fio de Ariadne: Onde queria chegar

23 junho 2011

Onde queria chegar


Ela era assim. Serena, tranquila. Pessoas tolas a indignavam, mas sem tirar sua pacificidade. Tinha valores claros e muitas vezes opostos aos da maioria. Ser minoria nunca foi fácil. Traz o conflito, o medo e a constante ameaça vinda do grupo dominante. Seja uma opinião radical, um olhar de preconceito ou um julgamento bobo. Eles sempre fazem questão de se manifestar.

Não, nunca foi fácil, mas nada bloqueia quem sabe o que quer. Ela sabia-se diferente, mas era certa de quem era e porque era. Isso torna tudo mais tranquilo. É bem mais fácil tirar os obstáculos do caminho quando sabe-se onde se quer chegar. Ela sabia como poucos. Por isso seguiu, driblando as ilusões da vida e pouco se importando com aqueles que achavam dominá-la. Ela sempre foi a única que se dominou. E sem nenhum tom de arrogância nisso.

Seguiu, com toda a sua serenidade e paz interior, com toda sua capacidade de amar, ainda que conseguisse ver, no interior das pessoas, tudo o que de ruim elas carregavam. Tinha faro para os defeitos alheios. Conhecia a todos minuciosamente, mas guardava-os para si, por entender que trazê-los à luz não os exterminaria. Amava as pessoas ainda assim. E isso tudo porque sabia exatamente quem era e aonde iria.

Chegou onde sempre quis chegar. Até lá, esteve boa parte do tempo sozinha. Agora, tudo era festa. A vida é mais simples do que se imagina.

4 comentários :

Lígia disse...

E sim... Muito simples pra quem sabe onde quer chegar...

Raquel disse...

Clarice numa outra linda dimensão.

Talita Cruz disse...

Que saudade dos seus textos! Sempre me inspiram...bjus!

Ariadne Lima disse...

Oi, Li, obrigada pela visita! Raquelzinha, você entendeu tudo!!! Talita, também estava com saudades, do blog e das suas visitas. Três beijos! ;)