Fio de Ariadne: O que fazemos da pressa

19 junho 2011

O que fazemos da pressa


Os meses passaram tão rápido que a sensação, às vezes, é de ter estado em transe enquanto eles corriam. Foram tão intensos, tão tensos, tão cheios de novidades, que ainda não parei para pensar o que fizeram de mim. Acho e espero, sinceramente, que não tenham feito muita coisa. Pelo menos, não no sentido de me transformarem em algo que eu não gostaria de ser.

É junho, quase julho, vejam só! E cá estou, em processo de desaceleração, depois de a vida ter me obrigado a pisar fundo no 220. Ainda tenho que manter o ritmo, é fato, mas acho que já dá para voltar a olhar as pessoas e imaginar suas histórias de vida. Uma coisa é fato: ainda sinto intensamente, ainda exercito minha visão de raio X e ainda encaro a vida como um delicioso livro de filosofia. Provavelmente, é neste capítulo que eu confronto meus valores com os de outros mundos e entendo que, nesta luta, não há fracos nem fortes. São simplesmente essências diversas que acabam por temperar a vida.

Vilã ou incompreendida, a pressa já virou personagem de importância nessa história. O que ela faz de mim ou de quem quer que seja não é o ponto chave. O x da questão é o que nós, testados pela vida, fazemos dos dias corridos e entulhados de coisas que ela nos dá. Manter-se firme e leal a si mesmo, ainda que em meio ao turbilhão, é o melhor resultado. O que há em nós, se soubermos cuidar, estará sempre seguro. Todo o resto é mero e frágil cenário.