Fio de Ariadne: Retrospectivas e perspectivas

28 dezembro 2010

Retrospectivas e perspectivas

"Quem conhece os outros é sábio;
Quem conhece a si mesmo é iluminado."
Lao-Tsé


"É preciso tanto movimento, tantas mudanças internas e externas, para descobrir que a paz está bem tranqüila dentro do nosso coração."
Denise Portes




Se eu tivesse que escolher uma palavra para explicar meu ano de 2010, ela seria: autoconhecimento. Decerto disputaria o primeiro lugar com outra bastante importante: amadurecimento. Provavelmente porque autoconhecimento e amadurecimento caminham muito próximos. 2009 foi sem dúvida um ano de muitas transformações em minha vida. 2010 foi o ano de assimilá-las, de estar comigo mesma e compreender que é muito bom estar na minha própria companhia. E, satisfeita ou não, este ano tive que estar na minha própria companhia (e só com ela) muitas vezes. Aprendi que estar sozinho não significa estar em solidão. E que estar com alguém não significa estar acompanhado. Coisas que a vida ensina, quase sempre depois de nos dar algumas surras. Faz parte.

Sinto-me bem agora. Não que eu esteja imune a sentimentos como dor, saudade, decepção, expectativa. Ainda sinto tudo isso. Talvez até mais fortes e pulsantes. O fato é que hoje sei lidar bem melhor com eles. Conhecer-se implica ter ideia (nunca sabe-se totalmente) de nossos limites e potenciais. Conhecemos do que somos capazes e sabemos como podemos lidar com determinadas coisas, inclusive com nossas próprias dores e esquisitices. 2010 não foi um ano de grandes transformações externas, mas de uma faxina interna sem precedentes.

Bani a auto-piedade do meu vocabulário. A culpa também. Não preciso delas. Aliás, não preciso de nada que tolha a minha liberdade. Eis algo que descobri a meu respeito: o que mais desejo é ser livre. E, para ser livre, o autoconhecimento é um passo fundamental. Talvez o primeiro. Antes de conhecer a liberdade, é preciso saber o que me liberta.

Voltando à questão da auto-piedade, vale a dica: é ela a grande responsável por nossas mais impiedosas fossas. Parece contraditório? E é. Ter pena de si mesmo é a maneira mais eficiente de se maltratar. Reparem: enquanto pensamos o quanto fomos injustiçados e nos vemos como coitados, incompreendidos, humilhados, desvalorizados, não saímos do lugar. Ficamos durante meses, às vezes anos, aumentando o tempo de vida de uma história que já está moribunda, apodrecendo dentro de nós. Escolhi não viver isso mais. Eutanásia já!

A culpa também joguei pela janela. O erro ensina. Se não ensina, ao menos transforma. Nada permanece igual depois de um erro. Resta-nos conviver da melhor forma possível com essa transformação. E isso começa riscando a culpa da história. Reconhecer um erro e tentar tornar a vida melhor depois dele é bem diferente de alimentar a culpa. Ela é como a autopiedade do parágrafo de cima: trava a roda da vida, causa estagnação. Stay away!

Eis, então, o melhor resumo de 2010: estou apaixonada por mim mesma. Não, eu não desenvolvi um ego desmedido. Apenas me compreendo e me aceito. Respeito meus limites, exploro meus potenciais, exijo de mim mesma o que sei que posso cumprir. Permito-me errar. Enfrento o medo de tentar de novo. E tento quantas vezes forem necessárias. Percebo minha beleza. Isso tudo me deixa mais aberta para o mundo, mais receptiva e cada vez mais amante. No melhor sentido da palavra. Sou dona de uma alma leve e acolhedora. Ela é pensante, tranquila, entende-se e aceita-se como gente. Essa classe apaixonante da invenção divina!

Em 2010, eu chorei sem vergonha de chorar. Admiti minhas fraquezas, entendendo que elas não me diminuem. Dei boas gargalhadas. Viajei. Saí mais. Busquei mais. Questionei mais. E encontrei mais respostas! Rompi com situações que me incomodavam. Conheci pessoas novas e novas pessoas naquelas que eu já conhecia. Aproximei-me do Divino. Fortaleci minha espiritualidade. Entendi o ser humano, suas mazelas e individualidades. Em 2010 eu me apaixonei! Despertei paixões. Decepcionei-me. Surpreendi-me (principalmente comigo mesma). Este ano eu me joguei. Cantei. Dancei. Escrevi bastante e pensei muito mais. Dei muitos abraços, contei e ouvi muitas histórias, troquei energias. Senti tudo o que um ser humano tem direito a sentir, de bom e ruim, aprendi a lidar com esses sentimentos e moldá-los, dosá-los, como numa receita de bolo, para chegar ao melhor resultado: a minha paz.

Para 2011, não tenho planos ambiciosos, mas tenho planos. Também tenho desejos, sem dúvidas. Ano novo que se preze tem que começar cheio de expectativas e esperança. Exemplos? Em 2011, quero um emprego que me desafie. Preciso do novo, quero quebrar paradigmas, tenho que descobrir novos talentos, explorá-los, derrubar meus próprios muros. Em 2011, quero um amor que me esfrie a barriga. Daquele que não me permita titubear, que se jogue e me leve junto, que saiba o valor das palavras, mas, sobretudo, saiba que há formas mais eficientes e saborosas de se falar à alma. Um amor que torne minha vida ainda mais leve. Quero viajar. Conhecer gente diferente, histórias diferentes, novos cenários.

Tenho, na verdade, uma lista generosa de coisas a fazer. Ainda vou refletir sobre cada uma delas, mas posso dizer, tranquilamente, que elas se resumem em apenas uma:

Em 2011, eu quero (e quero muito!) VIVER.


*Esta música foi um achado. Acho que representa um pouco do que fui em 2010, do que sou hoje e do que quero ser. Sintam a letra e deleitem-se com a melodia.


8 comentários :

Lígia disse...

Para 2011, eu só não quero mais carregar o estigma de ser e/ou parecer inteligente! Eu quero a futilidade pura. A ignorância que faz as pessoas mais felizes e o vazio que não agride a alma. Eu quero ser leve em todos os sentidos, inclusive, alguns quilos mais leve! É só isso... e trabalhar, trabalhar, trabalhar, trabalhar...

Ana disse...

Meninas,

eu concordo em tudo com vocês. Acho que nossa poeta aprendeu e (me) ensinou muito em 2010. Seu texto revela exatamente o tamanho do seu crescimento este ano. Primoroso, como sempre.
Li, eu cada vez mais percebo isso também. Não precisamos provar nada para ninguém. A futilidade é maravilhosa. E que tenha um espaço cativo nas nossas vidas no ano que vem. Rsrs

Zoi di Gato disse...

Que seus leitores também tenham muito autoconhecimento + amadurecimento em 2011, na trilha da liberdade!

Carol Jardim disse...

Eu sou apaixonada por você!

Ariadne Lima disse...

Ana e Li, estigmas são sempre superficialidades, amigas. Podem jogá-los fora junto com o último minuto de 2010! Sem dó. A Amizade de vocês é elemento fundamental nesse meu processo constante de construção.

ZDG, obrigada por vir aqui e que venha muito em 2011! Este blog também foi essencial no meu amadurecimento e autoconhecimento, já que escrever me liberta e apazigua.

Carolzinha, você também é uma pessoa apaixonante e especialmente presente neste ano de transformações internas. Obrigada pelas palavras sempre doces e sensatas.

Beijos pra todos!

Juliana Tavares disse...

"Tenho que descobrir novos talentos, explorá-los, derrubar meus próprios muros" essa frase traduziu exatamente o que eu queria fazer mas, como diz o ditado, querer não é poder rs
Seus textos são ótimos!
Um grande beijo!

Talita Cruz disse...

Parabéns pelo ano maravilhoso que vc teve! Tenho certeza que vc teve momentos muito felizes e fez muita gente feliz, por exemplo os leitores do seu blog! rs. Desejo que em 2011 vc continue nesse seu caminho de conhecimento, de experiências novas e de textos maravilhosos. Eu vou estar aqui com certeza :) bjss

Ariadne Lima disse...

Meninas (Talita e Ju), que lindas vocês são! Tenham certeza de que escrever aqui me ajudou muito a perceber isso tudo o que descrevi e sem o incentivo de pessoas como vocês talvez hoje o blog nem existisse mais. Obrigada! Beijos e um ótimo 2011!