Fio de Ariadne: Conselhos para um (quase) homem

16 setembro 2010

Conselhos para um (quase) homem


Tô pouco ligando para as suas viagens internacionais e me lixando para o seu MBA em Gestão de Negócios. Também pouco me importa seu carro do ano, seu conhecimento sobre vinhos e seu inglês fluente. Na verdade, quero que você pegue seu inglês e... Bom, deixa pra lá. O que esperava de você é algo que, já entendi, você não pode me dar: o mínimo de hombridade, de maturidade e alguma atitude diferente de olhar para o seu próprio umbigo.

O que eu quis de você, esse tempo todo, é algo que seus títulos não garantem e seu dinheiro não compra: a capacidade de se relacionar bem, a inteligência emocional, a sabedoria, o equilíbrio. Um pouco de coragem também lhe cairia bem.

Hoje, que compreendi nossa incompatibilidade, entrego os pontos e fecho a porta, mas deixo alguns conselhos sobre a mesa. Sinceramente, desejo a você: Mais pé na terra, menos sapato apertado. Mais cachorro quente, menos salmão ao molho de alcaparras. Mais ar livre, menos ar condicionado. Mais teatro na praça, menos Youtube. Mais castelos de areia, menos engenharia. Mais guerra de travesseiros, menos conflito de interesses. Mais olho no olho, menos MSN. Mais chocolate no rosto, menos goma na camisa. Mais amizade, menos terapia.Mais beijo de novela, menos beijinho de tia chata. Mais riso solto, menos sorriso amarelo. Mais abraço forte, menos aperto de mão. Mais relacionamento, menos conveniência.

Triste saber que você é hoje o que sempre buscou e construiu: uma conta no banco, alguns carimbos no passaporte, um bom carro, um imóvel na zona sul. A realização financeira e social por si só. Pura. Sem pontes, sem laços. Quisera eu ter lhe quisto antes. Quisera eu ter entrado em sua vida, quando você não passava de um menino avoado, mas cheio de planos, um magrelinho do interior, repleto de boas idéias e esquisitices contornáveis. Quisera eu ter intervindo a tempo de impedir que você fizesse de sua vida uma conta complicada. A tempo de, sim, compartilhar contigo as vitórias materiais, mas fazer delas simples cenário para uma história cheia de personagens, cores, sentimentos e VIDA. No sentido mais pleno da palavra. Pena mesmo não terem inventado a máquina do tempo. Carrega agora meus conselhos contigo e o adeus decepcionado de quem não conseguiu vê-lo transformar-se em um homem de verdade.

4 comentários :

Talita Cruz disse...

Pessoas como esse "quase homem" me dão pena, pois o pior defeito que existe nelas é ter os ouvidos tampados...bjss

Talita Cruz disse...

Pessoas como esse "quase homem" me dão pena, pois o pior defeito que existe nelas é ter os ouvidos tampados...bjss

Lígia disse...

Imagina a cara que eu faço quando me assusto... pois é!

Tate Bispo disse...

Amei este texto Di...
o mundo está precisando de mais meninos avoados...rs