Fio de Ariadne: Sobre marcas e feridas

13 agosto 2010

Sobre marcas e feridas


Parece clichê, mas é exatamente como uma ferida, que o tempo vai curando aos poucos. Fica a marca, mas ela também vai diminuindo, até não ser mais percebida. Ela, no entanto, permanece lá, convivendo com a gente, fazendo parte do nosso corpo. Eu tenho um sentimento assim. Curou, virou marca, foi desaparecendo, aceitei-a como parte de mim.

Nunca fui de estender a dor de um machucado. Há quem o faça por pura manha. Eu não. Saio logo metendo um mertiolate. Dou o grito consequente, seco o choro e vou mimbora. No caso de sentimento, nem sempre isso resolve. Quando menos se espera, a dor volta, o machucado abre de novo e não tem mertiolate que dê jeito. Eu continuo tentando. Não sei ainda o que é certo: tentar encurtar o tempo de cura ou aceitá-lo com toda a sua lentidão. Acho que, na verdade, o certo não existe. Existem sentimentos e feridas. Existem remédios, o tempo e a gente. A ordem dos fatores não altera o produto, já dizia a tia da escola.

A ferida está aberta de novo. Pior é que já nem incomoda mais. Há uma sensação de estranhamento apenas. Um questionamento inicial, do tipo: “Ah, você ainda está aí?” Depois me acostumo com ela e ela some de novo. Mais um ciclo curioso da vida.

2 comentários :

Leonardo Xavier disse...

Realmente, há feridas que são difíceis de superar...

Lígia disse...

Acho que era Santa Rita de Cássia que tinha uma ferida que nunca se curou... realmente, existem feridas que não se curam! Bjos!