Fio de Ariadne: Cores e temperos

10 julho 2010

Cores e temperos


Nem era bonito. Tinha lá um certo charme no olhar, uma boca interessante talvez. Foi o caráter, na verdade, que lhe chamara a atenção. Ele reunia algumas das principais características que ela considerava importantes em um homem. A sensibilidade, pelo menos à primeira vista, era uma delas. Ele tinha brios, valores, apreciava a boa cultura, era inteligente. Era a descrição do cara (quase) perfeito, esperado por tanto tempo. Ela esqueceu-se, no entanto, que não só de características impecáveis se faz um homem. Nele, faltava um pouco de tempero. Sabe aquele sal com pimenta que não precisa ser muito, mas dá todo o charme? O tempo mostrou que sobravam algumas chaticezinhas também, daquelas que acabam desandando a receita. Uma pitada de imaturidade, outra de arrogância, uma colherinha de inércia.

Era estranho perceber aquelas coisas, depois de ter apostado tanto nele, mas uma das delícias da vida é justamente nos revelar enredo e personagens online, em tempo real, sem ensaios, sem sinopses, sem scripts. Aquilo não era suficiente para deixar de ter por ele o carinho de antes, mas tinha a medida de sua vontade de acertar da próxima vez, de não deixar a fila empacar ali, naquela alma bacana, mas sem as cores que ela sempre quis ver. Ele era o nude. Ela queria a paleta inteira.

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