Fio de Ariadne: Inspiração que me faz expirar

13 junho 2010

Inspiração que me faz expirar


Gosto daquilo que me inspira. Você me inspira, mas você não vem. Eu espero em vão, eu te chamo em vão, eu insisto e desisto. Tudo sem sair do lugar. Você será o dono incontestável da culpa, se minha poesia morrer de inanição. Ela vem, me olha, solta um sorriso malicioso porque sabe que me domina. Ela, minha poesia, sabe que vem quando quer vir e que estou à mercê dela. Presa ou liberta, conforme o que ela decide. E normalmente ela decide vir quando você está. Você a alimenta. Assim, você me cativa também. No pior sentido do verbo. Permaneço presa. Torturada pelo silêncio, seu e de minha poesia. O que, na verdade, é como dizer “por meu próprio silêncio”, já que minha poesia fala por mim. Preciso então que você venha. É como se meu futuro literário-filosófico dependesse disso. O que sinto já não importa. Coração de poeta é lenhado por natureza. Importa minha inspiração. Importa o que me esvazia, me desincha. Importa o tanto que tenho a dizer, o tanto que posso compartilhar com o mundo e quantas almas posso ajudar a esvaziar por meio das minhas palavras. Entende a gravidade da sua falta? Preciso que venha e que venha depressa. Não precisa trazer mimos nem flores, os olhares me bastam. Não quero promessas, conforto-me com a presença. Simples e certa. Sem firulas e exageros. Apenas ela. Apenas você. Minha inspiração e eu. Tudo por almas mais vazias e um mundo mais leve.

Nenhum comentário :