Fio de Ariadne: Eu, mulherão

22 junho 2010

Eu, mulherão


Sempre desconfiei, mas nada como ter a certeza: sou um mulherão. Não que eu tenha, de uma hora pra outra, ganhado maiô estilizado, máscara e capa de super-heroína. Mulherão também sofre, também tem suas fraquezas e inseguranças. O fato é que ela enfrenta tudo isso com cara de quem acabou de sair do cabeleireiro. Mais: ela sente-se como se tivesse acabado de sair do cabeleireiro.

Mulherão não deixa o medo a vencer e menos ainda deixa desenrolarem-se situações que a incomodam. Um mulherão sempre sabe o que quer. Se não sabe ainda, pelo menos, sabe que não sabe e aceita-se assim. Ela não cai na armadilha da auto-piedade. Não deu, não deu, ora bolas! Vamo que vamo que uma hora dá. E ela vai. Respira fundo e dispara. Dá-se o direito de fazer umas pausas de vez em quando porque sabe, como ninguém, a importância de parar a caminhada, contemplar a paisagem e conhecer a si mesma. Um mulherão está sempre em busca de si. E ela sabe, sem desânimo, que é uma busca que nunca termina porque ela, afinal, é uma metamorfose ambulante. E sabe que ela gosta de ser assim?

Pois, então. Eu sou um mulherão. Não do tipo que tem silicone farto ou uma super bunda, mas do tipo que tem caráter farto e uma super coragem. Mulherão é metida. Ela se acha. Na realidade, ela sabe que muitas das vezes tá fazendo cena. É justamente aí que está toda a sua verdade. Porque um mulherão não mente pra si mesma. Ela gosta de encarar os fatos. Eles não a amedrontam. Podem até trazer alguma dúvida sobre o futuro, mas ela respira fundo e pensa que o que tiver de ser será. E é. Sempre é.

Mulherão sofre também. E chora. Tem TPM, síndrome de Betty a feia. O que acontece, no entanto, é que um mulherão sabe que essas coisas passam e só a fazem mais mulher. E eita orgulho que ela tem dessa raça! Mulherão adora ser mulher. Nem liga pra tripla jornada, acha graça da imaturidade masculina e gosta de ter que lutar por tudo, porque, afinal, ela sabe que consegue. Além disso: ela consegue sem perder a sensibilidade que lhe é peculiar. Um mulherão nunca trai a si mesma, nunca esquece suas convicções, não atropela seus valores. É cheia de si, mas, nem por isso, deixa de contemplar o outro.

Demorei um pouco a entender. Precisei passar por algumas provas, mas acho que, no fim das contas, tirei uma boa nota. Sou, sim, um baita mulherão.

Abram o caminho que eu preciso passar.

5 comentários :

Lis disse...

Acordo todos os dias com mil coisas na cabeça, consigo realizar umas e outras, e deixar todas as demais para o próximo amanhecer, que virá com outras tantas mil coisas na cabeça. Acho que por isso posso me chamar também de um mulherão!

Aline disse...

Nossa Parabéns ..adoro seus textos !!!Isso sim que é ser um mulherão....

visite: www.minhas-fonsequices.blogspot.com

Ariadne Lima disse...

Oi, minhas queridas! Vocês também são, sim, mulherões! O "ão" dessa história está todo na cabeça e isso, pelo que percebo, vocês têm bastante. Beijos e obrigada por virem aqui ler minhas divagações!

Raquel disse...

E além de tudo isso é doce como doce de batata doce.
Ficou fino esse, Di.

sds

Jana disse...

que orgulho desse mulherão - pequetita, só em estatura! - gente! é sim, Di, sempre foi.
PS: fui no seu prédio hoje...
Bjo!