Fio de Ariadne: Classificados

13 maio 2010

Classificados


Procura-se um amor. Que não seja como o dos livros, mas que tenha magia. Que não transforme abóboras em carruagens, mas transforme olhares em respostas. Não quero o amor das baladas, do “cala a boca e beija logo”, do “ninguém é de ninguém”. Que seja de beijos “até que os olhos mudem de cor”, que seja de paixão, de pele, mas não do agora; que seja do sempre. Ou pelo menos do “eterno enquanto dure”. E que dure.

Procura-se um amor que goste de banho de chuva, de algodão doce no parque, de brigadeiro com coca-cola nas tardes de domingo. Que tenha saco para ouvir minhas empolgações profissionais e entenda que ficar em casa em uma sexta-feira à noite pode ser uma grande idéia. Que encha minha bola quando a TPM tratar de murcha-la e murche minha barriga quando a TPM tratar de incha-la.

Procura-se um amor sem cheiro de mofo, sem medo de fantasmas, sem música sertaneja, sem rimas de amor e dor. Que fale firme quando eu precise, que me ajude a livrar-me das manias chatas, que me ensine a ser mais forte. Que ele erre como qualquer mortal, mas que erre sabendo que o erro é a oportunidade de aprender como não se fazer de novo.

Que ele ame as palavras e faça bom uso delas. Que goste do silêncio e entenda que, por muitas vezes, ele é a resposta mais sábia. Que sorria como quem revela a alma. E que chore, certo de que quem disse pela primeira vez que homem não chora inventou a maior bobagem da humanidade. Procura-se um amor que cante, ainda que no chuveiro. Que dance, ainda que meus pés o odeiem por isso.

Procura-se um amor com cara de para sempre, como o dos avós que ainda passeiam de mãos dadas pela rua e se compreendem no tom da voz, na respiração, no olhar. Procura-se um amor que adore meu pijama de elefantinhos e ache minha macarronada melhor que todas as guloseimas da casa da tia de Passa Quatro.

Procura-se um amor que tome meus pais por empréstimo e que não se importe de me emprestar os seus de vez em quando. Procura-se um amor que divida a conta, mas não se incomode se, algum dia, um ou outro tiver que pagá-la sozinho. Que goste do cheiro de mato, mesmo adorando avistar do mirante tantos prédios, ruas e histórias. Que saiba diferenciar um não sensato de um sim submisso. Que não encare o amor como moeda de troca e que não faça da companhia um compromisso formal lavrado em cartório.

Procura-se um amor que entenda que, de tanto tempo, tanta história e tanta busca, cansei-me de procurar e agora espero, serena, tranqüila, que ele me encontre.

4 comentários :

Talita Cruz disse...

O amor se encontra nas coisas mais simples, talvez ele esteja perto, só esperando que vc o enxergue com os olhos bem abertos...lindo texto, parabéns mais uma vez..bjss

Leonardo Xavier disse...

Eu acho que eu também tou numa fase meio cansei de procurar: se aparecer ótimo, se não aparecer eu continuo tomando minha cervejinha com os amigos, escrevendo bobagem no blog, lendo um bom livro.

Não é preciso o amor romântico para continuar vivo...

Desiree disse...

Querida, que coisa linda seu blog. Os textos são tão Clarice e, ao mesmo tempo, tão seus e táo nossos! Lindos,

Beijos da Dê, que também anda com as lágrimas trancadas

Raquel disse...

neguinha...é que as coisas mudam, assim como meus pensamantos e consequentemente meu blog. Mas é numa velocidade, né? de 10 em 10 minutos rs
fiquei feliz por vc se importar, vc e o leonardo. bju