Fio de Ariadne: Sempre gerúndio

16 março 2010

Sempre gerúndio


Há tempos não me sinto tão bem como nos últimos dias. Quando reflito, percebo que isso foi possível porque entendi que, algumas vezes, as quebras são necessárias. Por muitas vezes, levamos uma situação adiante, mesmo sabendo que ela não nos faz bem. O medo é a principal causa disso. O ser-humano tem a comodidade como característica marcante. Habituamos-nos até ao que não nos faz bem. E quase sempre só entendemos a proporção do mal, quando temos coragem suficiente para encarar a mudança.

Arrastei por muito tempo uma situação que me tolhia, que me impedia de ver novas possibilidades, outras esferas, e que não permitia, sobretudo, que eu visse a mim mesma. Olhar para si nem sempre é um exercício fácil. No entanto, quando conseguimos nos despir diante de nós mesmos, somos presenteados com a incrível sensação de estarmos nos conhecendo. Conhecer-se nunca é uma tarefa acabada. É sempre gerúndio. A vida não é estática e é esse seu tempero. Tudo o que para perde a graça, perde o sentido e acaba morrendo, nem que seja por indiferença.

Estou feliz agora. Estou me conhecendo. Estou feliz, na verdade, por ter me enxergado de novo. Devolveram-me as lentes diante do espelho. Não importa mais que eu mesma as tenha retirado. Importaria se eu nunca as tivesse colocado novamente. Tudo é aprendizagem. E tudo se torna mais simples quando estamos bem-resolvidos. É bom ser livre. E dar às coisas e pessoas ao nosso redor a mesma liberdade, só aumenta a sensação de que tudo se auto-regula, como na Teoria de Gaia.

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