Fio de Ariadne: Febre

21 fevereiro 2010

Febre

"Quando penso em você, eu tenho febre."
Renato Russo



Ás vezes dá febre. Mas não é febre de doença. É de sentimento. É estranho. O corpo esquenta, os olhos ardem, o rosto fica cor-de-rosa. A sensação é maluca. É um estar doente sem estar. A boca fica seca, o estômago revira, dá tremor nos braços, as pernas ficam bambas.

A causa é variável. Pode ser sentimento paixão, pode ser amor à primeira vista, pode ser decepção, vergonha e pode ser raiva também. Aquela que faz a gente chorar sem saber se é raiva de alguém ou da gente mesmo. Às vezes é expectativa pura e simples. Medo do desconhecido. Quando é vergonha, ela vem acompanhada de uma vontade louca de sumir do mundo, com a capa de invisibilidade do Harry Potter ou com o pó de pirlimpimpim do Monteiro Lobato, pra falar uma coisa mais da minha época.

Pensando assim, dá quase pra comparar os sentimentos a microorganismos, que às vezes fazem bem e outras, derrubam um leão. Sim, porque, sejamos justos, tem sentimentos que, em vez de febre, fazem efeito de remédio. Aqueles que deixam a gente assim... legal... na paz... Entende? Sei lá, quando tenho “a sorte de um amor tranquilo”, me sinto assim. Ou quando faço o bem. A sensação de missão cumprida ou de ter feito a boa ação do dia dispensa qualquer Prozac.

Talvez Deus fez dessa forma para nos mostrar o quanto os sentimentos podem nos fortalecer ou arruinar. Deus também faz metáforas. E eu gosto de buscá-las. É nas sutilezas que entendemos a vida.

Depois do tylenol, a febre passou. :)

2 comentários :

Raquel disse...

"dá quase pra comparar os sentimentos a microorganismos, que às vezes fazem bem e outras, derrubam um leão."

identifico! :]

Jênifer Gecler disse...

"... Talvez Deus fez dessa forma para nos mostrar o quanto os sentimentos podem nos fortalecer ou arruinar..."
Realmente linda, a gente consegue perceber isso sempre!!!