Fio de Ariadne: Das mortes da vida

17 fevereiro 2010

Das mortes da vida


“Para nos tornarmos imortais, é preciso aprender a morrer”, diz uma das letras do fascinante grupo que mistura música, teatro e poesia, O Teatro Mágico. Já morri várias vezes na vida. Não vou mentir: quase sempre dói. Mas é a dor da passagem, do momento, da quebra. O que fica é a renovação, o gosto de começar, não do zero, mas de um novo ponto, com novas perspectivas, sem ignorar as experiências passadas, mas reduzindo-as ao que merecem: passado. O que passou serve apenas de orientação para que façamos um futuro melhor, com mais acertos ou, pelo menos, sem os erros, agora banais, de outrora.

Essa semana eu morri novamente. Coincidência saborosa que o renascimento aconteça exatamente em uma quarta-feira de cinzas. Sempre me identifiquei com a Fênix, a ave que renasceu das cinzas. Coincidência igualmente feliz que eu volte a escrever também agora. As palavras sempre foram minhas asas. E agora, como Fênix, visto minhas asas e renasço para muitas coisas das quais eu havia, por tempo indefinido, desistido.

A Literatura sempre encontrou formas de dar o ar da graça em minha vida. Às vezes me escondo, chego a achar que não consigo mais escrever. É aí, então, que ela vem de novo, como a dizer “achou que ia se ver livre de mim?”. Não, eu não consigo me livrar dela. E, sinceramente, adoro essa perseguição. Nessas férias, a literatura novamente bateu em minha porta. Literalmente. Ou quase. Fui procurada por um escritor que me convidou a fazer parte de um novo projeto. Fizemos as pazes, eu e ela. Entendi que ela precisa de mim tanto quanto eu dela. Voltamos às boas. E espero que desta vez o casamento seja sólido e duradouro.

Volto agora para o blog. Renasço para as palavras e para uma série de coisas em minha vida. Deixo para trás aquilo que já não me trazia produtividade ou, melhor, aquilo que já não me fazia feliz. Há momentos na vida em que o que era saudável se torna doença e, então, é preciso morrer e expurgar tudo o que já não fazia bem. A morte dói, mas o prazer de se sentir limpa, como uma folha em branco, pronta para receber as mais belas histórias, supera qualquer golpe, ultrapassa, e muito bem, qualquer quebra.

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